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Celuc & Manuel Reis
A epopéia ideológica de Manuel Reis
à frente do Celuc
J. C. Macedo
Intelectuais, sul e centro americanos, ficaram tão entusiasmados com o foco do Humanismo Crítico utilizado por Manuel Reis ao estabelecer a sua linha filosófica contemporânea que, em poucos anos, passaram ter o mestre português como baliza ideológica e fazer de cada livro publicado um objecto de estudos profundos.
Em reunião do Grupo Granja em casa do professor e ex-padre e ex-guerrilheiro Figuera de Novaes, em 2005, em Valparaíso (Chile), a professora Mariana d´Almeida y Piñon disse, a certo momento, que “os livros e as idéias do filósofo Reis superam todas as expectativas criadas em torno dele pelo poeta J. C. Macedo, nas palestras de Buenos Aires e de Asunción”.
Entretanto, ninguém é filósofo por acaso, e o professor-doutor e ex-padre Manuel Reis, profundo conhecedor da teologia que nega oficialmente o Jesuanismo, passou por um momento, no início dos Anos 70, que faz jus à sua dedicação à Cultura comunitariamente assente, trabalhada com a consciência da pessoa que sabe de si e se doa aos outros: a diretoria do Coral de Estudantes Letras da Universidade de Coimbra – o famoso Celuc.
Esse momento foi uma chave decisiva para o então religioso e professor e maestro se dizer ideologicamente comprometido com a Cultura, e não com a Política salazarista. Se à frente do Celuc, que tinha como secretária a estudante Lillian, hoje sua companheira, Reis teve a ousadia de inovar conceitos musicais e administrativos, essa estrada pública esbarrou na miopia clássica dos caudilhos fascistas, ou, se se quiser, nos assessores policiais (leia-se ´pide´) e institucionais (leia-se ´reitores´ e outros que tais) da teia salazarista, ainda hoje de pé... apesar do 25 de Abril de 1974, o que, entre 1969 e 1970, desencadeou uma resistência a envolver professores e estudantes.
Eram tempos de cinza: os capangas de Salazar vestiam de cinza e o chumbo caía pesado sobre o operariado e a intelectualidade que não seguiam a orientação da cartilha feita pelo Estado Novo.
A resistência foi dura, mas prevaleceu o humanismo crítico que mais tarde Manuel Reis iria fazer implodir na sua odisséia filosófica. O professor e padre e maestro foi ´convidado´ a se expulsar da academia e da igreja católica, mas Portugal e o Mundo ganharam um filósofo activo e objectivamente centrado, primeiro, no ser português profundo, e segundo, na cidadania universal.
Trago até vós a recordação daquele momento histórico e académico para que ninguém se esqueça que a Liberdade não é um jogo de encenações políticas, mas um acto ideológico nacional e universal. E por isso é que Manuel Reis é o que representa filosoficamente, hoje!

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