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CENTRO DE ESTUDOS DO HUMANISMO CRÍTICO
CEHC
O seu processo de génese (como atitude crítica e movimento) teve lugar nos idos anos de 1976-80, após a consumação do P.R.E.C. resultante da portuguesa ‘revolução dos Cravos’ de 25 de Abril de 1974. Situação enquadradora: dava-se corpo a todo um Projecto, sério e actualizado, de Renovação (pedagógica e filosófico-cultural) das Escolas do Magistério Primário, indutivamente, de baixo para cima, contra o hierárquico/hierático tradicionalismo bafiento do salazarismo. Na Escola do Magistério Primário de Guimarães, um pequeno grupo de Estudantes, com preocupações cívicas e culturais, polarizado à volta do Prof. Manuel Reis, reunia frequentemente para fazer o ‘ponto da situação’ e preparar novas actividades. Integravam o grupo nuclear: Fernando Martins Fernandes, Fernando Capela Miguel, José Manuel Remísio Dias de Castro, Maria Helena Faria de Macedo Correia e Fátima Antunes.
Foi nessa Onda que nasceu o jornal académico do Magistério ‘Pontos Nos Is’. Foi, igualmente a partir desses encontros, que se programaram as acções de Alfabetização de Adultos, segundo o método de Paulo Freire. E foi ainda a partir dessas reuniões que se pôs em marcha a dinamização do Grupo de Teatro ‘Juventude em Palco’, em esquema de teatro de vanguarda na cultura popular, e direccionado às freguesias do concelho de Guimarães, ora com peças seleccionadas, ora com peças criadas adrede para o efeito.
A partir de 1989 (ano da queda do ‘Muro de Berlim’), esse grupo nuclear do Magistério, juntamente com outros Amigos que foram chegando, em encontros informais com o Prof. M. Reis, como inspirador e orientador, resolveram constituir-se numa espécie de Posto de Vigilância Cultural Crítica, à escala do país e do Mundo. Foi nesses encontros que nasceu o Centro de Estudos do Humanismo Crítico, vocacionado para um trabalho filosófico-cultural do tipo ‘corredor de fundo’, de tal sorte que as suas intervenções e produções literárias tomaram, decididamente, a preferência pelas publicações não-periódicas. Nos últimos anos, associaram-se ao Centro de Estudos personalidades de relevo, que é mister destacar: o Prof. Licínio Chainho Pereira (ex-Reitor da Universidade do Minho), o Prof. Hélio João dos Santos Alves (da Universidade de Évora), o Prof. Alfredo Pinheiro Marques (Presidente do CEMAR e Prof. da Universidade de Coimbra) e o Dr. António Melo (da Direcção Regional do Norte).
Os membros do CEHC adoptaram, como lema, a conhecida sentença de Terêncio Varrão: ‘Homo sum, humani nihil a me alienum puto’: Sou homem, e nada do que é humano eu posso considerar estranho! Eles tomaram consciência das mentiras e imposturas sócio-históricas, que as sucessivas Revoluções foram registando ao longo dos séculos. Por isso, eles já não vão atrás de bandeiras ou projectos que se alcunhem de humanistas, sem mais. Para eles, um tal epíteto só pode alcançar, hoje, a sua legitimidade e a verdade justa, se adoptar e cumprir a fórmula do Humanismo Crítico.
Os membros do CEHC sabem que as ‘religiões institucionalizadas’ (antigas ou novas…) já não podem prestar serviço (válido e fecundo) de correcção e salvação às Sociedades e à Humanidade de hoje e do futuro. Eles sabem, igualmente, que a religião secular e laica do cientismo/cientificismo, que derivou para as hodiernas ‘Tecnociências de Aparelho’, também não pode operar as necessárias e indispensáveis correcções de rota das Sociedades bem como os salvamentos de que a Espécie dita Sapiens-Sapiens tanto carece.
Guimarães/Pt, Setembro de 2004.
CEHC
Urbanização do Salgueiral, Rua de Cabo Verde, 10-B, 4835-119, Guimarães/Portugal.
PREC processo revolucionário em curso
SALAZARISMO Regime fascista-católico de António de Oliveira Salazar, que dominou
Portugal por cerca de 40 anos, até 25 de Abril de 1974.
CONCELHO Município (em Portugal não existe a figura institucional da Prefeitura Municipal, a Câmara Municipal é, ao mesmo tempo, legislativo e executivo).
M. Branco de Matos
Dados Biográficos
1942 – Nasce na freguesia de Vila Cova (Barcelos).
1953 – Conclui a 4.ª classe. Ingressa no Seminário Diocesano de Braga
1958 – Conclui Humanidades (5.º ano dos seminários).
1961 – Conclui o Curso de Filosofia
1965 – Conclui o Curso de Teologia. Inicia a docência como prof. de Música.
Frequenta o Conservatório Regional de Braga.
1979 – Conclui o Curso de Direito na Universidade de Coimbra. Frequenta a Faculdade de Letras da mesma Universidade, onde faz as Cadeiras de Literatura Clássica, Estilística e Literaturas Modernas.
1982/84 – Estágio na docência. Professor efectivo do Ensino Secundário (8.º Grupo-A), leccionando Português e Literatura Portuguesa.
Foi sócio fundador do CRCA de S. Torcato (Guimarães), co-fundador do seu jornal Grito Livre e do seu Grupo Coral, que dirigiu. Colaborou com Orfeon de Braga, com o Grupo Polifónico de Viana do Castelo e com o Orfeão de Barcelos; reabilitou e dirigiu o Grupo Coral de Barroselas; no âmbito da sua colaboração com o FAOJ, dirigiu a Tuna de Cepães (Fafe); colabora com a Sociedade Musical de Guimarães e dirigiu a Orquestra Ligeira da mesma SMG.
Tem colaboração dispersa na imprensa regional e local, com destaque para O Povo de Guimarães.
Aposentado da docência, exerce a Advocacia.
Endereço: Urb. Cruz d’Argola - Rua B, 436 2.º D.to
Tel/Fax 253.515564 4810-452 Guimarães/Pt
sonimmatos@portugalmail.pt
A Palavra De Jesus
Uma análise aos textos de Manuel Reis e João Barcellos
Por Joane d’Almeida y Piñon
Foi por influência de Tereza de Oliveira, e mais de João Barcellos, que me interessei pela Literatura que nos rodeia e impregna. Cinco anos depois de constituirmos o Grupo Granja ainda me acho muito longe do debate literário – acho até que mais filosófico do que literário -, apesar de acompanhar e de me inserir no contexto grupal que somos. Li e leio, hoje, livros que nunca passariam pela minha imaginação de técnica. Fisicalista, como diria o professor Manuel Reis, que só conheço de ler as suas obras... Acabo de ler os textos de João Barcellos, publicados (Gazeta de Cotia e Jornal Dos Romeiros) em São Paulo, Brasil; um deles já tinha lido, foi o que acompanhou o texto ‘Sócrates e Jesus – Esses Desconhecidos...!’, de Manuel Reis. Em certa medida, comparo Reis ao mestre Mario Schenberg (de quem fui discípula), pela liberdade com que ambos expõem a Vida e a História humana tornando, às vezes, simples a complexidade que é o nosso viver. Para mim é muito caro ler João Barcellos em texto referenciando um amigo que lhe é tão íntimo, como Manuel Reis, porque logo chego ao meu bom e velho pai, de tantas crônicas jornalísticas em Boston, principalmente de crítica social e cultural. Um jornalismo cultural que poucos sabem produzir com ênfase social e política em torno do que posso chamar, e chamo, de ‘ousadia vivencial’. Ao participar do texto “O Segredo De Jesus À Luz Das ‘Tochas’ Bíblicas”, com Rosemary O’Connor, para o Grupo Granja, sabia que estaria em diálogo direto com João Barcellos através de Manuel Reis, porque ambos professam essa ‘ousadia vivencial’ que é mais uma ruptura permanente com o ‘establishment’ que nos amordaça a Humanidade. Hoje, sou uma técnica (não propriamente uma ‘fisicalista’, embora confesse que até ao nascimento do Grupo Granja fui isso mesmo) que se embasa na Ecologia humana para determinar uma Tecnologia adequada à demanda daquilo que somos – ou, quiçá, um retorno ao Fraternalismo com que Davi governou sem reinar imperialmente... É nisto que entendo o texto “Sócrates e Jesus – Esses Desconhecidos...!”, de Manuel Reis, como já havia entendido uma parte de “O Peregrino” e outra de “Os Celtas”, de João Barcellos, e muito especialmente o seu “Balada Do Guerreiro Espiritual”, em 1996.
Há uma parte no texto de Reis que me levou a rever alguns conceitos academicamente arraigados, mas agora nulos: a importância árabe (do movimento ‘fálsafah’ = filosofia) na discussão aberta de um mundo onde a Humanidade tivesse chão e não somente fome de Poder (triturar a própria Humanidade), o que se já acontecia tenebrosamente no Império romano, veio a radicalizar-se depois do primeiro concílio católico de Nicéia, quando Constantino se impôs empossando, nele..., o Poder religioso. Até hoje. Ao que o formato ideológico do movimento árabe dito ‘fálsafah’ era nitidamente contrário, daí a razão que levou o Ocidente a esquecê-lo! Uma filosofia de Vida que, certamente, Jesus subscreveria e dilataria. É por isso, e eis aqui uma das questões centrais nos últimos livros de Manuel Reis (e também no “Novas Tecnologias/Nova Economia”, Ed. Edicon-SP, 2000, c/ belíssima apresentação de João Barcellos), que as igrejas tornadas ‘poder/es’ não ousam mais filosofar, preferem teologizar por ‘capelinhas’ obscenas em conluio com impérios econômicos e dando as costas aos povos.
Concordo plenamente com João Barcellos, quando afirma que “Manuel Reis é uma lição de Humanidade tão filosófica que apetece revolucionar tudo o que nos rodeia, e nós mesmos!... como fez Jesus, redesenhando o percurso dialeticamente democrático de Sócrates”.
Joane d’Almeida y Piñon – Houston/USA, Julho 2001.

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