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JOÃO BARCELLOS

Escritor / Conferencista

Cx Postal 16   06717-970 Cotia/SP-Br
jb@impressaocores.com.br 

 

     “Há muito radicado nos caminhos da América do Sul, tornou-se um estudioso da Luso-Brasilidade e produziu vários livros sobre o assunto: romances e estudos históricos - um sobre o capitão-general de São Paulo[O Morgado de Matheus, SP-1991] e outros sobre a região cotiana do Piabiyu [Cotia - Da Odisséia Brasileira De São Paulo Nas Referências Do Povoado Carijó, SP-1993; De Costa A Costa Com A Casa Às Costas, SP-1996]. Os seus conhecimentos sobre a sempre presente Cultura Minho-Galaico Sob Referências Célticas permite-lhe alcançar várias rotas de estudos e aprofundar o seu conceito de Ser-Estar Português No Mundo. Filho de família que mistura as linhas de serviço público, tecnologia industrial, comércio, artesanato e literatura, João Barcellos transpõe para os seus escritos essa vivência cultural que aprofundou nas suas andanças jornalísticas - é, assim, um intelectual de vanguarda com bagagem humanística poeticamente assumida!  [OLIVEIRA,Tereza de - artista plástica, poeta; Paris/Fr, 1998]”  /  “O universo que nos cerca, seja o sistema ecológico seja o sistema humano - e, na realidade, o segundo sobrevive sem o primeiro (somos seres solares e lunares, ou cósmicos) -, é o material de base para as ações intelectuais do escritor luso-brasileiro João Barcellos. Ele é o Ser em busca do Ser entre as coisas da Terra e a floresta do Pensamento. Se o Ser Humano é o que é em função da evolução cósmica, João Barcellos é um poeta que escreve com a coragem de Viver esta evolução natural; e por isto, ele Vive em si mesmo a Humanidade que raro encontra nas esquinas do sistema humano. Ele é o Poeta por inteiro na Anarquia do prazer de Viver!... [CÉDRON, Marc  - ecologista, psiquiatra; 1999, Zurich/Ch]”

 

Trabalhos Literários

POESIA E SEIS CONTOS DUM BARALHO SÓ coletânea [1989, RJ]; – ESTÓRIAS POÉTICAS  crônicas [1989, RJ]; – TEMPO DE VINGANÇA  romance [1990, SP]; – UM LUSO NA ILHA DE SAMPA  poema; – COTIA as referência de são paulo na aldeia carijó   pesquisa [1991, SP] – UMA CARAVELA DE PRATA  romance [1992, RJ]; – MORGADO DE MATHEUS  pesquisa/ensaio [SP, 1993 e 2000], 2ª Ediç., Edicon/SP-Br, 2004; Prêmio Clio de História 2004; – COTIA  pesquisa/ensaio; – TEATRO [peças em 1 Ato] ; – DE FERNANDO PESSOA A MACHADO DE ASSIS  ensaio/palestra; – CAMÕES / O POETA DO TEMPO LUSITANO  ensaio [1991, RJ]; – SIDÔNIO MURALHA / O POETA DA VIDA ensaio/palestra; – MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO  ensaio/palestra; – ANTERO DE QUENTAL  ensaio/palestra; – CAMILO PESSANHA  ensaio;  – A CRIAÇÃO POÉTICA  ensaio/palestra [1990/91, Rio de Janeiro e Florianópolis]; – O TROPICAL JOSÉ DE ALMADA NEGREIROS  palestra; – OS DESCOBRIMENTOS  ensaio [Prêmio Pedro Álvares Cabral, 1990 - SP]; - REFLEXÕES SOBRE FERNANDO PESSOA  ensaios/palestras; – A MULHER E A POESIA EM FLORBELA ESPANCA  palestra; – OS CELTAS  ensaios/palestras; – DE COSTA A COSTA COM A CASA ÀS COSTAS     história brasileira a partir de acutia; – OI, COTIA!  / HISTÓRIA PARA CRIANÇAS [com ilustrações de Ricardo Feher]; – O PEREGRINO / A ESSÊNCIA POÉTICA DO SER  ensaio/palestra [Edicon, 1995]; – O PEQUENO PEREGRINO  e outros contos; – ENTRE O POETINHA E O CANTO DAS VANGUARDAS   ensaio sobre Vinicius de Moraes; – CONTOS PARA TODOS  contos para jovens [1995]; – CONTOS  para jovens [1995]; – ESCRITOS ECOLÓGICOS  coletânea de ensaios [São Paulo e Buenos Aires, 1996]; – MÁRIO SCHENBERG / O SER QUE SABIA ESTAR  palestra; – JOSÉ DE ALENCAR palestra;  – O PEREGRINO / Palestra Primeira e Palestra Segunda  [1998]; – TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA / palestra [Ouro Preto/MG,1998]; – AMOR   poesias c/ marc cédron  joane d'almeida y piñon  tereza de oliveira  jb  mário castro [Grupo Granja, 1999];  – RIO / O ROMANCE NA CIDADE  romance; – OUTROS ESCRITOS - poesia, teatro, conto [1998]; – EXUBERÂNCIA E FOLIA NO MAR DE LONGO – poema épico [Rio de Janeiro e Buenos Aires, 1998; reescrito em 2004]; –  CLUBE BRASIL  romance [São Paulo e Buenos Aires, 1992/98]; – O OUTRO PORTUGAL  romance [Edicon/SP-Br, 2000]; – 500 ANOS DE BRASIL  ensaios-palestras (Edicon/SP-Br., 2000]; – BAPTISTA CEPELLOS o poeta do drama brasileiro [com ilustrações de Ricardo Feher, 2000]; – OLHAR CELTA; –  ORDEM & SOCIEDADE   [1ª Ediç, 2003; 2ª Ediç, 2004; 3ª Ediç, 2009. Ed Edicon & TNComunic, Brasil e Portugal];  –  OUTROS POEMAS coletânea; – EDUCAÇÃO & CULTURA  textos vários; –  GIL VICENTE  ensaio  [2001/02]; – PIABIYU ensaio-palestra  [1ª Ediç, 2003];  – COMO SE ENCONTRA RELIGIÃO NA CIÊNCIA  ensaio (2003); –  CONTOS EXEMPLARES  c/ Maria Fernanda Sousa  e ilustrações de Wagner Barbosa (2004); –  SAMPA 450  ensaio-entrevista [2004]; –  HAROLDO DE CAMPOS   ensaio (2004); –  MITO-HISTÓRIA & ÉPICA  ensaios c/ outros autores [Edicon - Br c/ Grupo Granja – Br, Centro de Estudos do Mar - Pt & Centro de Estudos Humanismo Crítico - Pt, 2005]; – BONIFÁCIO / Princípio & Fim Do Império Bragantino-Brasileiro [e-book, TN Comunic, 2005]; – CECÍLIA MEIRELES / A Materna Linguagem Da Vivência [e-book, c/ Rosemary O´Connor, TN Comunic, 2005]; –  ALMA AÇORIANA / No Mundo E No Brasil [e-book, c/ JOHANNE LIFFEY, TN Comunic, 2005]; – ESCRITOS LUSO-BRASILEIROS  [em preparação]; –  CONTOS & SONHOS   lij   c/ Johanne Liffey e Márcia Fecchio [inclui o conto “Uma Menina Chamada Koty”];  – POESIA, CONTO & NOVELAS [Edicon, 2009]; – VIVÊNCIAS sócio-pedagógicas   [A Opinião De Um Professor ]; –  JD NOVA COTIA / Um Bairro De Migrantes; Trabalho Coletivo sob orientação de JB [Edicon & TNComunic, 2005]; – AGOSTINHO E VIEIRA: MESTRES DE SUJEITOS!  [c/ Manuel Reis. Ediç FrenProf. Pt, 2006];  – ATO CULTURAL  sobre as lic´s [Edicon, CEHC & TC Comunic, 2006];  – GENTE DA TERRA o romance da luso-brasilidade [Edicon & TC Comunic, 2007]; ARAÇARIGUAMA – do Ouro ao Aço [Ed Edicon, TN Comunic & Prefeitura de Araçariguama, SP – 2007. Prêmio ´Clio de História´ 2007]; – COMUNICAÇÃO VISUAL [Edicon & TN Comunic, SP - 2008]; – ESTAMPARIA [Edicon & TN Comunic, SP - 2009].

 

Coleções Literárias  [TerraNova Comunic / Ed Edicon / Grupo Granja / Centro de Estudos do Humanismo Crítico]     DEBATES PARALELOS  Vol 1 [Temas Gerais], 2002; Vol 2 [Temas Gerais], 2004; Vol 3 [Igreja-Estado ou Religião], 2004; Vol 4 [A Palavra Jesuana, Textos Gnósticos & Outras Opiniões], 2007; Vol 5 [´Q´ Jesuânica / Opiniões], 2009.  PALAVRAS ESSENCIAIS  Vol 1 [Políticas Educacionais + Cultura de Raiz = Projeto Nacional],  1ª e 2ª Ediç, 2003; Vol 2 [´Os Lusíadas´ Em Debate], 2004; Vol 3 [Coronel Herculano e Revolução de 32], 2008; Vol 4 [Manuel Reis – O Filósofo // A Crise], 2009.

Peças Videográficas   A POESIA E O MUNDO, 1988 [Rio, RJ]; O INTELECTUAL E A FAVELA, 1988 [Rocinha, RJ]; A BIBLIOTECA E A COMUNIDADE, 1996 [Paraty, SP];  COTIA: CIDADE CENTENÁRIA, 2006 [Cotia, SP; c/ César Tiburcio]; JD NOVA COTIA: UMA EXPERIÊNCIA LÍTERO-SOCIAL & HISTÓRICA, 2006 [Cotia, SP; c/ César Tiburcio]; ARAÇARIGUAMA: DO OURO AO AÇO, 2006 [Araçariguama, SP; c/ César Tiburcio]; FILOSOFIA & POESIA PELA PAZ, 2007 [Embu, SP, c/ Mariana d´Almeida y Piñon].

   Em outras línguas: ‘Familia, Mercancía & Transnacionalidad / la batalla por la Raíz Social es sobrevivir en Humanidad’ [Ediç. ‘Jeroglífo’, Buenos Aires / Arg., 1989; 2. Ediç., 1991; esgotado]; ‘Concept et Tendance: Politique, Marché des Capitaux et Question  Sociale’, BARCELLOS, João & OLIVEIRA, Tereza de [Egalité / Maison d’Edition, Paris/Fr., 1996];  ‘Liberté Provisoire – Terreur et Politique contre Nous’ [Egalité / Maison d’Edition, Paris/Fr., 1996];  ‘Freedom and Social Ruptures’, essays and poems, published by Cult Journal, Houston/USA, 1998].

     Enquanto leitor crítico, JB escreveu mais de duas centenas de Prefácios e Opiniões; editor, foi responsável pelo jornal O Serigráfico e o Jornal d' Artes, o jornal Tempo de Educar e o jornal Corpus, a par da revista Vida & Construção; editor de Cultura em jornais e rádios regionais; orienta Oficinas de Poesia, palestras em universidades e clubes literários, além de aulas de  português e literatura brasileira; em 2008 fundou a revista Impressão & Cores de conteúdo tecnológico. É membro dos restritos grupos intelectuais “Eintritt Frei” [Berlin/De] e "Grupo Granja" [Brasil e Mundo] e colaborador internacional do “Centro de Estudos do Humanismo Crítico” [CEHC, Guimarães/Pt].  Integrou o grupo que fundou a Associação Profissional dos Poetas do Estado do Rio de Janeiro (APPERJ), é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina / IHGSC e da União Brasileira de Escritores [UBE, SP].    

 

 

 

JOÃO BARCELLOS
Conferências

 

Oficina Literária
& Conferências

O escritor, editor e conferencista
João Barcellos, além das oficinas
de Poesia, Conto e Romance,                                                     
ministra as conferências
Magia da Escrita & Biblioteca,
Nova Historiografia
Dos Descobrimentos Portugueses,
Segurança Pública e Comunicação Visual.

Fone/Fax 4703.3077  Cel: 9966.5246
jb@impressaocores.com.br

 

 

 

1889-2009
Chaplin & Hitler
Duas visões num tempo só: paz e guerra.

 

Uma breve análise de
João Barcellos

 

   Chaplin e Hitler. Dois nomes, duas personalidades que marcaram, e marcam ainda, as idéias que regem políticas e sociedades entre os Séculos XX e XXI. Nasceram em Abril de 1889, em 16 e 20 respectivamente, na Áustria e na Inglaterra, e ambos conheceram a miséria e o desconforto da frustração social durante a adolescência.
Filhos de pais violentos, Charles Chaplin e Adolf Hitler tornaram-se praticamente vagabundos até conhecerem algum tipo de emprego: Charles, como ator, e Adolf, como retratista e militar na 1ª Grande Guerra (nas fileiras alemãs, não nas austríacas). Charles agarra com profissionalismo a oportunidade de ser ator, comediante, e faz das suas memórias da infância pobre em Londres a sua fonte de inspiração para trabalhar a figura que o tornará famoso e uma lenda viva entre os povos – “charlot” [ou “carlitos”], o romântico vagabundo [“the tramp”]; enquanto isso, Adolf desespera-se ao ver a sua arte de retratar impedida de entrar na Academia de Artes de Viena, e é mais um ressentimento a juntar-se àqueles que lhe marcam a vivência – e, por isso, com a guerra mundial, alista-se nas fileiras alemãs alimentando uma fonte íntima messiânica e anti-semítica que apreendera de List [Guido Von List, 1848-1919], o místico anti-semita austríaco de defendia a superioridade da ´raça ariana´. De um lado, Charles busca o entendimento universal, do outro, Adolf caminha para o confronto bélico e ganha espaço entre os ´nazis´ [partidários do Partido Nacional-Socialista]. Duas personalidades nascidas no mesmo mês de 1889 preparam-se para marcar a humanidade com atos diferenciados, na Arte e na Política.

   Com experiência adquirida em botecos, circos e teatro ambulante, Charles embarca para os EUA e conhece a florescente indústria cinematográfica, onde passa a trabalhar. Nos primeiros tempos, o seu ´vagabundo´ é personagem que passa longe das luzes do sucesso, mas, em menos de um ano, “charlot” transforma Charles Chaplin no ator mais conhecido no mundo pela genialidade das pantomimas desenvolvidas para o cinema mundo. Charles percebe que o cinema é uma porta aberta para transmitir a mensagem da paz e do amor através do riso e multidões formam filas nos cinemas de todo o mundo para beberem essa mensagem. Enquanto isso, metido em confusões e desanimado com a derrota alemã na guerra, Adolf Hitler vai parar na prisão e aí escreve “Mein Kampf”, livro que sai para a praça livreira em 1925 e logo torna-se guia ideológico entre os ´nazis´ e outros anti-semitas, quando parte das instituições financeiras mundiais estão nas mãos de judeus e estes apertam a economia alemã com altos juros gerando grande desesperança em milhares e milhares de famílias. A ´bolha´ financeira estoura em 1929 na bolsa nova-iorquina, atinge o mundo ocidental, e Adolf passa a ser, na prática, o ´salvador´ político que a família alemã busca para sair do caos, e a sua mensagem está em “Mein Kampf”: o judeu financista é o culpado, além de ser de uma raça inferior à ariana.
Depois do seu primeiro curta-metragem, em 1914, Chaplin conquistou o mundo e a sua independência; em 1925 escreveu e filmou “A Corrida Ao Ouro”, e em 1928 “o Circo”, que colocaram definitivamente como o gênio da Cinematografia mundial sem nunca deixar escapar a sua mensagem de paz e amor.
Durante o ano de 1933 a Alemanha abandona os compromissos com o desarmamento e afasta-se da Sociedade das Nações: o jovem Adolf que aderira em 1919 ao Partido Operário é já o ´messias´ que a família alemã quer no Poder e dá-lhe o direito de ser o seu guia [´fuhrer´]. Como chanceler, Adolf faz do Reich a sua fé e o seu altar para um governo de mil anos sob a égide do arianismo com trilha sonora baseada em Richard Strauss [1864-1949] de estética arianista.
Se no Séc. XVIII a Revolução Industrial levou a automação a vários segmentos da atividade produtiva, os avanços da Ciência e da Tecnologia, nos Anos 30 do Séc. XX, fazem da Alemanha nazi uma potência econômica que renasce das cinzas através de obras públicas colossais sob a coordenação de Adolf Hitler... e, aqui, Adolf aproveita a recomposição econômica e social para ganhar o pilar popular decisivo na sua caminha messiânica: junta ao esforço econômico, reconhecido internacionalmente, o esforço de guerra com o estabelecimento da Força Aérea e de um Exército bem equipado. ´O mundo está aos meus pés!´, deve ter sugerido Adolf a si mesmo. Perplexo e impotente, o mundo das ´democracias´ assiste placidamente à ascensão quase mística – porém, verdadeiramente exotérica e embasada em algumas lojas respeitáveis – de um Adolf Hitler. Diante da família alemã, Adolf é o ´fuhrer´ que faz renascer a velha tradição teutônica, o fulgor céltico da expansão pagã, e, em certa medida, o resgate merovíngio.
Ainda em 1936, Charles percebe que a linha de montagem [estabelecida por Ford, nos EUA] das fábricas aliena e faz do proletariado uma massa de manobra: escreve e filma “Tempos Modernos”. É o seu primeiro grande manifesto político e cultural contra a ditadura capitalista que cerceia a liberdade no mundo das ´democracias´ ocidentais. E, no auge do Poder nazi e da idolatria exotérica em torno de Adolf Hitler, em 1940, escreve e filma “O Grande Ditador” colocando na parte final a sua voz de artista humanista contra a ação bélica alemã.
Em “O Grande Ditador”, Charles e Adolf encontram-se diante do mundo, e se Adolf é “o senhor dos anéis” segundo Strauss, ele os perde na fluidez humanista que Charles empresta pessoalmente à estética cinematográfica do “não à guerra, sim à paz”, contrariando até os magnatas de Hollywood.
O filme “O Grande Ditador”, Charles Chaplin [´charlot´/´carlitos´] desperta no mundo o não consciente, a aversão à guerra: é o grande manifesto humanista contra a besta bélica, e mobiliza consciências. Entre o riso e a sátira, Charles não diminui a importância contemporânea de Adolf, apenas o apresenta tal como é – e o próprio Adolf, que solicitou cópia do filme para assistir por duas vezes na ´toca do lobo´, segundo registros em poder dos Aliados, riu e comentou a obra sem desmerecer, também, a importância do genial Charles.
1889, Inglaterra e Áustria: dois homens e dois movimentos humanos. Dois exemplos que formam segmentos políticos e sociais: Charles nasceu para nos dizer da alegria que é a Vida, Adolf nasceu para provocar a Vida com o espectro da Morte na sua ânsia arianista de sobreviver pelo submundo místico.

 

 

Winston Churchill
& Ruy Barbosa

Duas faces abomináveis da mesma moeda política
no combate à ´negrada incivilizada´!

 

 

“Sou vivamente favorável à utilização
do gás venenoso contras a tribos incivilizadas”

Winston Churchill

 

À Guisa De Introdução
A humanidade está preocupada com a violência que o terrorismo institucional promove e sustenta ,e, obviamente, com o terrorismo que levanta em oposição àquele, sendo que, quase sempre o terrorista de hoje é aquele que foi instruído e armado e pago pelo terrorismo de Estado em algum momento do seu percurso político... Exemplos? Saddam Hussein e Bin Laden foram instruídos e armados e pagos tanto pelos EUA como pela antiga URSS, assim como pela União Européia [UE].
O terrorismo é bélico e é intelectual: do gás de Churchill e de Hitler às bombas atômicas de Roosevelt e da Família Bush e Clinton, passando pela queima de arquivo de Ruy Barbosa e a ´cara de pau´ do Vaticano no seu apoio tácito à criminosa ´dissolução´ da Teologia da Libertação, enquanto suporte na sublevação política contra as ditaduras militares latino-americanas.

1. O Esquecido Gás Churchilliano
No final da 1ª Grande Guerra do Séc. XX, Winston Churchill era o ministro dos assuntos coloniais da Inglaterra, cujo império estava em declínio na África, no Próximo Oriente e na Ásia, sofrendo até com oposições mais extremadas de povos/tribos, particularmente palestinos, curdos, afegãos e indianos. Os governos de aluguel mantidos pelo Império britânico, a certa altura, recusaram-se a utilizar bombas de gases letais com as comunidades sublevadas e isso deixou Churchill muito irritado e a ponto de dizer: “Não entendo esses melindres a respeito do uso do gás [...] Sou vivamente favorável à utilização do gás venenoso contras a tribos incivilizadas”. E foi utilizado em larga escala. Quantos palestinos, curdos, afegãos e indianos foram dizimados pelo gás churchilliano, entre 1917 e 1920? Sim, o mesmo Churchill ´vivamente´ cristão e ´democrata´ que se mostrou espantado com o gás hitleriano, em 1944!... Oh, hipocrisia das hipocrisias!

2. Queima de Arquivo Barbosiana
O famoso abolicionista e político brasileiro Ruy Barbosa, no dia 14 de Dezembro de 1890, então ministro do governo republicano despachou o seguinte: Todos os livros e documentos referentes à escravidão existentes no Ministério das Finanças sejam recolhidos e queimados na sala das caldeiras da Alfândega do Rio de Janeiro. De uma ´penada´ só Barbosa fez desaparecer a história oficial da Escravatura. O próprio congresso brasileiro emitiu nota para saudar o ´exercício´ da política republicana para a queima dos vestígios da ´mancha negra´ do Brasil imperial – o que, também, os monarquistas agradeceram!
Com a Abolição feita por Isabel enquanto golpe político para afastar Pedro Augusto do trono – ele era o ´janota´ egocêntrico que queria ser Pedro 3°, e quase conseguiu... –, os escravos foram soltos e entregues à própria sorte, sem condições de sobrevida. O “cumpra-se” de Ruy Barbosa para queimar a História da Escravatura foi a segunda morte lenta dos escravos, que ficaram sem identidade para se defenderem e exigirem direitos sociais diante do Estado republicano.

  E, a finalizar.
1- O que une os atos de Churchill e Barbosa são os traços societários do liberalismo doentio que nega a existência de outros povos e faz de um negro um branco quando aquele assume, por exemplo, um cargo na administração branca... Mas, logo que uma comunidade se percebe em risco de extinção e luta contra isso, o Estado imperial age com todo o peso do terrorismo policial-militar, ou impede-lhe o acesso aos registros históricos. Já no Séc. XXI, os EUA lançaram sobre o Iraque e o Afeganistão bombas atômicas com um ¼ da capacidade das lançadas sobre o Japão no Séc. XX, enquanto armava e financiava Israel e a Turquia para esses países fazerem o jogo sujo contra palestinos e curdos. Mas, ninguém fala contra os poderosos que fazem isso, seria uma... falta de educação, nê!? O que é o Povo Negro? Ora, demos bosta e cotas universitárias que a negrada ficará feliz... Lá na África, nem bosta têm para comer! Branco é a essência da ´civilização´ sob o poder da bomba atômica e das igrejas! Alguém aí acha que não?! Eis o biorracismo que domina a humanidade desde que ela se assumiu como ´civilização´.
2- Membros do Grupo Granja, reunidos em Barueri, São Paulo - Brasil, em Março de 2009, após estudo dos últimos textos filosóficos de Manuel Reis e da produção lítero-histórica e política de outros grupos, incluindo os do poeta J. C. Macedo, resolveram aprofundar as ações socioculturais de humanismo crítico contra a hipocrisia que domina o mundo e faz da globalização financista um poder-condomínio que acarreta a destruição de povos e nações. A humanidade precisa de gente ousada.

 

A humanidade joga contra si mesma.
Um dia, a Pessoa Humana se exterminará na Terra,
e aí, quem sobreviver poderá viver, finalmente,
sem o Deus da Guerra!    J. C. Macedo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A CRISE
E plantam ´cavalinhos de tróia´ nos nossos quintais!

 

   Enquanto se discute e divulga, entre grupos de interesses culturais e filosóficos, o livro “Caminho Novo”, de Manuel Reis, pinçamos do mesmo e do ensaio-manifesto “Crise: em demanda da Economia Política”, uma lição – a saber:

1º – convivemos com ´cavalinhos de tróia´ projetados pela megalomania de economistas e financistas de plantão submissos aos interesses das oligarquias arranchadas no Poder; ´presentes´ que deixam em nossos quintais sempre que precisam de nos extorquir a ´grana´ necessária para a gastança nos corredores palacianos;
2º – tais ´presentes´ surgem nos ciclos em que o escarro das políticas econômicas do Capital[ismo] selvagem se mostra com o hálito nefasto das entranhas ideologicamente doentes, podres;
3º – o poeta Fernando Pessoa já ´cantava´ que, “no fim das contas é o povo que paga tudo”! Talvez por isso, os seus “Cadernos de Economia” são pouco estudados e, em vez deles, as baboseiras nababescas dos bufões/especialistas em Bolsa de Valores são lidas como ´bíblias´, pois, o Capital tornou-se o Deus societário que se reconhece nas Elites, e só.

   E é assim mesmo. “A cada crise financeira criada pela bolha da insensatez financista das elites surge um cavalinho de tróia, e não como presente que pode ser recusado. Não. Ele é imposto... Ora, “[...] o Governo tem que resgatar os banqueiros do poço que cavaram e no qual caíram, coitadinhos (como diria Gil Vicente), as fábricas montadoras de carros, idem, mas não tem que resgatar a produção nacional; e os pequenos empresários que geram economia e emprego que se danem. [...] Precisamos urgentemente de uma Economia Política que se oponha a essas práticas criminosas na esfera do Poder, público e privado. Precisamos de uma Economia politicamente assumida no espectro da Sociedade e não da Elite”, diz o último manifesto do Grupo Granja, que também assinou a “Carta a Obama” com o mesmo propósito de reflexão filosófica e política.
As crises financeiras entendem-se quando lhes conhecemos a raiz, a história política. E é um susto atrás do outro. A cada “marolinha” do desinformado ou cínico Sr. Lula, lá vem mais uma cavalinho de tróia para nos lembrar que pagamos, sempre, as contas do Sr. Lula e de outros presidentes comprometidos com o Capital e nunca com a Sociedade. Deve-se lembrar ao Sr. Lula que, de tanto querer virar Imperador-Presidente, o príncipe Pedro Augusto envolveu-se com os politiqueiros e foi traído para, depois, morrer no abraço da loucura... e é uma loucura ouvir um Presidente falar da crise mundial e nomeá-la como “marolinha”, enquanto os seus compatriotas sofrem com o desemprego sob o riso cínico dos políticos, em geral, que continuam com as suas festas e gastanças!

 

 

Paz & Segurança Pública
É preciso desmilitarizar a mente para se entender
o que é Sociedade Civil e o que é Paz!

 

João Barcellos
Autor do livro “Ordem & Sociedade”

 

Obs: Queria apresentar a minha reflexão na 1ª Conferência de Segurança Pública de Cotia, realizada em 15 de Abril de 2009 [evento que deve ser aplaudido], mas não pude porque o evento começou muito depois da hora agendada publicamente. Assim, aqui vai...

 

   O ano 2009 parece ser importante para a meditação e o implemento de algumas ações públicas no campo da Segurança Comunitária, porque o Brasil começa a pensar a Segurança Pública sem o conceito militar/militarista de Defesa Nacional para que surjam políticas públicas a partir das municipalidades de forma a estruturar uma plataforma policial-judiciária sem os ranços coloniais.

1
O velho conceito ditatorial do ´poder militar´caiu quando caíram as ditaduras fascistas e soviéticas, e é preciso que todas as pessoas entendem que ´militar´ e ´polícia militar´ só existem nos quartéis das Forças Armadas [FA´s]; fora dos quartéis, só as estruturas policial-judiciárias e metropolitanas-municipais com grupos/gabinetes de gestão intregrada, chamados Grupos de Gestão Integrada [GGI´s]. Eis por que a Democracia brasileira só acontecerá quando o Povo for parte da Segurança Pública e não o “inimigo” [IN], e quando a polícia do tipo ´militar´ estiver devidamente integrada na estrutura policial-judiciária ou na estrutura metropolitana. A conhecida Polícia Militar [PM] só existe no Brasil porque a Elite plutocrática não aceita discutir a desmilitarização mental que lhe é suporte ideológico e por achar que o Povo é, sempre, o inimigo a abater. Enquanto não se entender que a Sociedade Civil o é em Comunidade[s], o conceito militar/militarista de Defesa “nacional” abortará (ou vai tentar abortar) todas as manifestações de Democracia direta pela plenitude política da Cidadania. Se se pensar naquilo que nos cerca diariamente, pode-se questionar: Bombeiros? Ah, por que os Bombeiros são parte da PM?! Por que os Bombeiros não parte da estrutura de Defesa Civil nos municípios, logo, uma corporação municipalizada...?! É ainda aquele ranço colonialista da mente que julga tudo sob a ótica da defesa ´nacional´ para atender, prioritariamente, a Elite.
Ao se conceber uma Polícia Comunitária do tipo Guarda Municipal [GM], deve-se perceber desde logo o interesse nacional pela Segurança Pública desde os núcleos – a Família e o Município, e é aí que a Polícia Militar [que não é propriamente militar, uma vez que não é parte das FA´s] deve ser repensada como força metropolitana.

2
A idéia de Segurança Pública deve enquadrar, sempre, a Sociedade no seu Todo humano, e não somente no aspecto societário, i.e., institucional, pelo que é na Comunidade, por ex., que agentes devem ser recrutados e treinados para atividades do tipo ´policiamento municipal´. Obviamente, a esfera do Poder central [ministério, secretaria nacional e programas de nacionais de integração] deve estar presente como ponte institucional e parte do processo, mas o controle efetivo de uma GM deve ser feito por corregedorias com políticas neutras de intervenção técnica e ética, até para coibir o ´apetite´ tradicional dos políticos locais de transformar a corporação em ´sua´ guarda pessoal.

   É preciso desarmar a mente, desmilitarizar as corporações policiais metropolitanas, para que se quebrem as algemas coloniais que aprisionam, ainda, a Sociedade.

   Sem a desmilitarização da mente colonial, o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania [Pronasci] e a própria Guarda Municipal terão dificuldade no seu assentamento social e político, pois, sabemos..., isso requere integração local, estadual e nacional, no âmbito de uma ação de Poder-civil e não de Poder-militar.
Muitas pessoas, até profissionais policiais, militares e judiciais, não percebem que só pelo fato de uma corporação policial-metropolitana circular nas comunidades como ´militar´ é já uma ´bandeira´ socialmente contraditória na circunstância da Democracia que se deseja assentar efetivamente – e vejamos: a) O serviço militar existe para a defesa territorial da Nação; b) O serviço militar deve preservar a Ordem em caso de estabelecimento de Estado de Sítio, seja em caso de Golpe de Estado ou não; c) O serviço militar deve se incorporar à Defesa Civil quando as circunstância o exigem; e d) O serviço militar exerce policiamento no seu território, i.e., entre quartéis, estando o policiamento civil sob orientação das corporações policial-judiciária e metropolitana. Assim, não é nem legítimo que uma polícia metropolitana utilize a denominação ´polícia militar´, como o faz a “PM” que circula em todo o Brasil.
E entenda-se: ninguém é contra a PM, o que se quer é a que a PM vista a farda que lhe autêntica: a farda da Polícia Metropolitana, ou, como em outros países, a farda da Polícia de Segurança Pública. Com tantos anos de atividade sob a bandeira ´militar´ é óbvio que a PM criou nichos de interesses sociais e mesmo profissionais; mas, o que importa não é a corporação, ou o corporativismo, o que importa é que na Democracia o Ser-militar é um profissional aquartelado para a Defesa Nacional e não para a atividade em policiamento urbano cotidiano.

3
Nas comunidades está a base do Todo social que pode gerar a Paz – Família, Poder Público, Escola, Núcleos Empresariais, Igrejas, Guarda Municipal, etc. –, e o Todo integrado funciona, a Nação progride de baixo para cima realizando a vera e autêntica Democracia. Aqui assenta, também, o conceito de Sistema Único de Segurança Pública [Susp], que deve ser acarinhado e defendido por toda a Sociedade brasileira.
O contato direto das corporações policiais e do judiciário na Rede Municipal de Ensino, por ex., é desde logo o ato primeiro da mudança de paradigma estrutural no garante um humanismo crítico pela defesa dos direitos humanos, até por que o/a Agente Municipal da Ordem deve ser, antes de mais, o/a Agente da Sociedade, pois, não pode ficar isolado da Comunidade como fica o Agente Militar confinado no quartel, mas, este, por circunstância da sua própria atividade em prol da Defesa Nacional.


O Ministério da Justiça [MJ] lançou, para inaugurar o ciclo de debates no âmbito da nova visão de Segurança Pública, o Texto-Base. O ´t-b´ tornou-se já um instrumento de excelência pedagógica ao permitir que as corporações policial-judiciárias busquem conjuntamente soluções locais de importância nacional.
Cabe, agora, ao Todo social acompanhar e participar dos encontros municipais que o ´t-b´ propõe para a mudança definitiva do conceito ´militar´ de Segurança Pública.

 

BARCELLOS, João
Escritor, Conferencista. Autor de “Ordem & Sociedade”, Ed Edicon [edição esgotada]. A 3ª Ediç, revista e aumentada, terá ênfase na Segurança Pública. 

 

 

 

 

 

Mulher:
Uma Luta De Sempre Pela Liberdade

 

Crônica & Poema
João Barcellos

 

   O filósofo português Manuel Reis sintetiza, assim, toda a batalha que a Mulher teve e tem pela frente enquanto as religiões contrárias à Palavra jesuância [Jesus], incluindo e principalmente a católica: “O acesso da mulher, como do homem, ao estatuto de ‘cristão revestido’, ou seja, de ‘ministro’ no sentido atual, no protestantismo por exemplo, confirma o traço característico de uma religião do Espírito, ao passo que o cristianismo católico permanece uma religião psíquica, entrada no terceiro milênio sem ser capaz de reconhecer a paridade espiritual humana, para além do dimorfismo sexual. Nisso, de maneira visível, mas igualmente sobre todos os outros pontos, ela estagna no sistema de contenção segregado pela psique paranóica e atormentada de Paulo de Tarso, que escreve, em 57 e 65: ‘Como em todas as Igrejas dos santos, que as mulheres fiquem caladas nas assembléias, visto que não lhes é permitido tomar a palavra; que elas se mantenham na submissão, tal como a própria Lei lhes ordena [...]. ‘Se elas querem instruir-se em algum ponto, que elas perguntem ao seu marido em casa; porquanto é inconveniente, para uma mulher, falar numa assembléia’. / 1 Cor. 14, 34-35: ´Durante a instrução, a mulher deve guardar o silêncio, na submissão total. Eu não permito à mulher ensinar nem dar ordens ao homem. Que ela se mantenha tranquila. Foi Adão, de fato, o primeiro a ser formado, Eva veio depois [...]. ‘E não foi Adão que se deixou seduzir, mas a mulher que, seduzida, se tornou culpável de transgressão’”. Em tempo e sempre atual: O homem e profeta Jesus viveu o seu mi[ni]stério político e esotérico rodeado e dialogando com o universo feminino e foi a sua companheira Madalena quem recebeu a incumbência de divulgar a boa nova e não nenhum dos seus ´discípulos´... Ou seja: a Igreja pedro-paulina repudia a Mulher e ao fazê-lo repudia a essência universalista da Palavra jesuânica...!
E assim, a maioria Mulher que se situa no universo judaico-cristão-árabe continua calada, submissa. É preciso, pois, que a Mulher perceba que só será Pessoa por inteiro quando se libertar das algemas impostas pelo corporativismo religioso e social!

 

Universo Feminino
João Barcellos

 

Uma palavra. Um som.
O mais íntimo dos sons é tão umbilical como a vida,
O prazer de falar, chorar, amar!
Somos o eco do ventre que nos deu vida
E nele acampamos para odiar, amar, revolucionar!
Desse universo d´amor somos também frágil partícula.
Universo feminino. Mulher: palavra e som.

Nela recebemos a luz e a cada dia novo somos uma partida.
Mulher. Mãe. Companheira. Tu és em nós o cântico único da vida!

 

 

 

 

 

 

PODER MUNDIAL – Que Ponto G...?

Depois do Consenso de Washington, do G-7 e do G-20, e até da ONU, o que o Império Yankee e seus satélites podem oferecer à [sua] Aldeia Global?!

 

   As chamadas grandes conquistas, marchas fabulosas de imperadores sequiosos de mais Poder, levou Roma, Grécia e Pérsia, e depois por mar, Portugal e Espanha, e antes dos ibéricos, a China, a colocarem o Mundo sob uma perspectiva de aldeia global – as decisões de Mando político-econômico eram tomadas nas capitais metropolitanas e as colônias absorviam tudo isso no ritmo do chicote e dos impostos, e ainda vivificavam a Cultura dos dominadores assimilando a Língua e as Tradições sócio-religiosas. Há muito que o Mundo é uma aldeia global reinventada a cada novo ciclo colonial, sob a benção ou não de alguma religião feita Igreja-Estado e de lojas esotéricas de espírito politicamente exótico.
Recentemente, no Séc. XX, políticos e economistas, após encontro em Bretton-Wood, conceberam o Consenso de Washington para idolatrar a Moeda, enquanto novo/a Deus[a] da globalização pós duas grandes guerras mundiais: o Dollar, a moeda estadunidense [EUA], toda ela decorada com mensagens exotéricas e celebrando um “acordo” com “Deus”, foi declarada Moeda Internacional com equiparação ao Ouro, enquanto contrapeso fisicamente visível. Ninguém precisa ser economista ou cientista político para entender a jogada do Poder/Ordem Mundial.
E assim, depois da Roma imperial e até da Igreja Romana Católica (ao tempo das Cruzadas e da Inquisição), eis que os EUA tornaram-se o Império do consumismo e do capitalismo selvagem, enquanto armavam o primeiro grande ´front´ colonial contemporâneo: o Estado de Israel e a ONU. Depois da tentativa pan-germânica de Hitler, o Mundo conhecia outro ciclo de dominação colonial com os EUA e a URSS.
Mas, não esqueçamos as lições históricas: os velhos impérios caíram diante das corrupções políticas internas e arrastaram outros espaços nacionais para o mesmo abismo, de tão dependentes que estavam às políticas coloniais. Em exemplo localizado, lembro que o Brasil tornou-se independente de Portugal para continuar como colônia da Coroa brangantina e fez-se República para continuar a politicagem monárquica de entrega dos bens públicos ao Capital exterior enquanto negava o crescimento próprio através de investidores nacionais, como já havia acontecido no caso de Mauá: é a mesma política econômica de entreguismo vigente hoje, no Séc. XXI, o que acarreta dependência ideológica, ou colonial..., mesmo sendo o Brasil o celeiro do Mundo – ou, uma potência que se nega a si própria!
A corrupção e o nacionalismo anti-pátrio (porque nega o Povo) já acabou com o pan-germanismo do Nazismo e satélites ideológicos como o Salazarismo (Portugal) e o Franquismo (Espanha) e suas extensões sul-americanas; com o Estado militarista e pseudo-comunista da URSS; e agora, o cassino financeiro montado no Império Yankee acaba de ditar o fim dos EUA como pólo do Pensamento Único que embasa o Mundo globalizado, e essa bolha arrasta a Europa e satélites coloniais em todos os continentes. A malha colonial milico-econômica é de tal forma capilar que Spinoza analisou-a magistralmente [v. “Ética”] segundo o conceito de pensamentos de idolatria circunstancial que sugerem um poder hipócrita, civil e místico, conceito esse retomado por Manuel Reis [v. “Caminho Novo”] na sua análise às hipotecas graves da civilização ocidental. Essa capilaridade ideológica e econômica é tão forte que nenhuma nação economicamente dominada pelo conceito de Espaço Vital [lebensraum] consegue escapar ilesa, pois, esse Espaço Vital é o pilar geopolítico do Poder em expansão contínua e desenfreada.
Já haviam criado o G-7, grupo dos muito ricos, depois vieram com o G-20, os ricos com os aspirantes a alguma migalha, e tudo isso em meio a um pseudo-governo mundial chamado ONU, instituição que não passa de um departamento das políticas externas do Império Yankee, segundo testemunho do senador Acheson. Ou seja: o cassino financeiro e o militarismo terrorista de expansão pela demanda de Água e Petróleo, e logo de Cana d´Açúcar e Soja, balançaram as estruturas da aldeia global sob colonização milico-econômica do G-7.
E agora? Os tais “Consenso de Washington”, “Pacto Andino”, “Nafta”, “Comunidade Européia”, “Mercosul”, etc. e etc., mais o ´diabo a quatro´, são agora instrumentos inúteis diante da tragédia que os ricos estupidamente extravagantes e egoístas provocaram sob o aplauso, é claro, dos seus súditos periféricos... como o Brasil, por exemplo.
“Ah, precisamos reformular o Banco Mundial e o FMI, regular a especulação nas Bolsas”, disseram os tais do G-20 em alegre jantar oferecido pelo dono do Império yankee, na White House (a nova Bretton-Woods). Pois sim. E daí?! Os povos não têm o que comer, enquanto os créditos governamentais vão para compra de carros, casas, geladeiras, televisões, e não para a produção de alimentos e bens de consumo utilitário. Eis o “consenso” do G-20. E viva os ricos. As bolsas de valores vão continuar a especular com os dinheiros que deveriam produzir bem-estar para todos e os governos satélites do Mando colonial vão continuar a olear a máquina capitalista que nos tem (lembrem-se do filme ´Tempos Modernos´, de Chaplin) como peças dessa engrenagem selvagem, desumana. “Oh, quão triste é decidir dar um pouco de festa pra gentalha, coitadinha...”, bocejam os ricos. Resumo da ópera colonial: o “Ponto G” do Poder Mundial não é a busca pelo prazer de viver humanamente, é “g” de interesse grupal elitista, é a obscenidade de possuir e prostituir o Povo sob a sua bota ideológica, civil e mística.
Pois é, e essa corja de ricos ainda inventa [o melhor é dizer reinventa] uma luta de culturas [que ouvimos como kulturkampf] enquanto choque de civilizações. Puro entretenimento anti-filosófico. O que querem é proteger a Ordem Mundial que, na verdade, é a Desordem colonial que bestializa os povos e retira o conceito de Nação aos povos dominados, lembrando aqui ensinamentos do filósofo luso Manuel Reis. E é verdade: o Mundo atual está mais para a caverna de Platão do que para a cidade dos livres pensadores defendida por Sócrates e ensaiada no universalismo de Jesus diante do Império romano e da Igreja-Estado judaica.

   Receita?
Só uma: ou os Povos se entendem como tais e se responsabilizam conscientemente pelas respectivas Nações, ou nunca terão direito à Cidadania e a partilhar da Riqueza que produzem, porque o Caudilho espreita a oportunidade para se dizer e se fazer Poder... em nome de “deus” e dos “excluídos”!

 

 

 

Racismo & Escravidão
Ou: a economia colonialista como base dos impérios pseudo democratas

 

   O mundo ocidental convencionou-se chamar ´democrata´ apenas para eleger as suas bancadas políticas sob condicionalismos ideológicos oriundos da cartilha do Poder-condomínio alimentado por uma Elite velha que se renova monarquicamente no espectro da República.
Ninguém foge às regras ditadas e assinaladas pelos caudilhos republicanos – e, tais regras, têm base numa Economia que se perpetua colonialmente, pois, ela nunca age enquanto Política para as comunidades, ou seja, para a Sociedade das Pessoas, apenas para o societarismo identificado com a Pessoa-Objeto, que o mesmo é dizer: com os Escravos que devem obedecer aos interesses capitalistas dos ditadores esclarecidos... E não tenham dúvidas: o Racismo e a Escravidão foram, são e serão, nestes moldes societários, os pólos que sustentam a Elite capitalista, a banca dos liberais-ditadores esclarecidos. Não se pense, entretanto, que isso não aconteceu, ou não acontece, sob outras bandeiras ideológicas: os soviéticos leninistas e stalinistas vivenciaram o mesmo conceito de capitalismo animalesco escudados por um Comunismo que nunca existiu – claro, entendendo-se Comunismo como Sociedade de Pessoas e não de Escravos –, assim como os maoístas e, de certa maneira, os cubanos fidelistas [a não ser que se entenda por Revolução uma ditadura de meio século de políticas nas mãos de um caudilho]!, que é o que, hoje, Chávez quer na Venezuela e muitos pt´s [leia-se Partidos dos Trabalhadores] querem para o Brasil com Lula no meio, embora este venha dignificando a sua carreira política afirmando-se contrário a qualquer golpe palaciano nesse sentido.
Por outro lado, “...associações exotéricas e igrejas institucionais engrossam e engessam os pilares do Liberalismo nas políticas biorracistas e da barbárie capitalista, porque não existe Colonialismo sem a intervenção direta das Congregações Místicas”, como afirmam os filósofos Manuel Reis e Noam Chomsky, e o poeta J. C. Macedo, a par de muitos dignos pesquisadores/cidadãos espalhados pelo mundo.   
É assim que se entendem as cíclicas “crises econômicas” que abalam o Ocidente. E até altos executivos, que fogem à cartilha dos caudilhos da Elite globalizada, pagam caro por erros de avaliação e de ação nessa conjuntura, como foram os casos de 1929 e 1973, e são os de 2008 e 2009.

 

Os exemplos do Haiti e de Cuba
entre os erros da Gramática capitalista

   O racista, presidente dos EUA e prêmio nobel da “paz” [1919], Woodrow Wilson [1856-1924], manda, em 1915, invadir o Haiti para “proteger os interesses norte-americanos” na região. Quais são os interesses dos EUA no Haiti? Impedir que uma república parlamentarista se instale sob comando de negros e permitir a colonização da região para exploração com corporações transnacionais norte-americanas tendo a população local como mão de obra escrava. Quatro anos depois, o Sr. WW recebe o prêmio Nobel da Paz...! O que resta do Haiti? Miséria, guerra civil e mais um campo para negociata de armas no meio de conflitos localizados, tão ao gosto dos senhores armamentistas que dominam os EUA e a ONU. A instabilidade social e política em regiões como o Haiti [e Angola e Cabo Verde, e Afeganistão e Iraque e Balcãs, e Sudão e Etiópia, e por aí vai o mapa...] é uma estratégia para manter as fábricas de armamento em plena atividade e dar sustentabilidade de negócio com altos lucros às transnacionais que operam com mão de obra escrava.

 

Mísseis da URSS, Cuba, EUA
& Guerra Fria

   No caso da política externa dos EUA relativa a Cuba, eis que os interesses imperiais do capitalismo, nos Anos 60, que domina os EUA e a URSS, fazem da ilha tomada por Fidel de Castro o cenário ideal para impor decisões militaristas e diplomáticas, e a própria ONU passa a ser o grande ´braço diplomático´ estadunidense.
A ´crise´ de Cuba não é com a economia, é com o poder militar da URSS que ali instala mísseis nucleares direcionados ao território dos EUA. O presidente John Kennedy é pego de surpresa e decide pelo bloqueio militar da ilha “comunista” que, logo, torna-se também embargo econômico considerando que “Cuba não respeita os direitos humanos” [...?!]. É a diplomacia dos hipócritas e colonialistas que, na realidade, estabelece as políticas externas das grandes potências. Nem a URSS nem os EUA querem saber do Povo cubano: a ilha torna-se um ponto de referência no mapa dos imperialismos no Ocidente, e pronto, os cubanos que paguem a festa dos banquetes da Guerra Fria entre norte-americanos e soviéticos.
Todos os presidentes dos EUA, de Kennedy a Bush, e o que deve continuar com Obama, pregam a sua Ordem capitalista-católica contra uma Ordem comunista que, dizem, Castro instalou em Cuba – mas, esse embargo econômico, também adotado pela Comunidade Européia [muleta ideológica dos EUA em muitas decisões internacionais, particularmente a partir da Inglaterra], não é o entrave maior a Cuba, que tem na ditadura política do próprio Castro o pior inimigo, tanto que monarquizou o Poder para impor o seu irmão Raul como sucessor. Assim, a decisão de 7 de Fevereiro de 1962 vai continuar a valer enquanto os próprios norte-americanos não perceberem que o embargo não afeta um país que negocia com outros países e que, ali, a vida continua apesar dos EUA.
A famigerada Guerra Fria é a ´bandeira´ oportuna levantada entre as potências URSS e EUA para singrarem as suas lâminas mortíferas sobre nações e povos militarmente indefesos.

   Entre as questões ´Haiti´ e ´Cuba´, surge no alvo capitalista a dominação velha e sempre renovada das jazidas petrolíferas dos árabes – o novo ciclo da Cruzada da cristandade contra os ´infiéis´ mulçumanos – sabendo-se que os clãs feitos monarquias são pontas de lança dos EUA e da Inglaterra, pelo que qualquer instabilidade nessa estrutura política regional pode ser um golpe contra os interesses do Ocidente. O 1º ´incidente´ acontece com Gamal Abdel Nasser [1918-1970], o presidente do Egito que enfrenta os interesses franceses e ingleses e passa a ser uma ameaça política ao status quo tribal-monárquico dos pró EUA na região árabe;  o 2º ´incidente´ é o golpe militar de Saddam Hussein [1937-2006] contra a oligarquia que reina no Iraque, em 1968, e então ajusta um governo de despotismo mesmo tolerando a cristandade e repudiando letalmente, por exemplo, os curdos; e o 3º ´incidente´ é a ascensão de Muamar AL-Kadhafi que, em 1969, liquida a monarquia e instaura uma república islâmica na Líbia. A gramática colonial européia não domina mais a região árabe e só os EUA, através de Israel, pode determinar uma linguagem política de oposição extremada. É o que acontece em 1966, durante a Guerra dos 6 Dias, quando o Egito perde militar e geo-politicamente para Israel, que atua equipada e sob ordens dos EUA para eliminar o poder político e crescente da liga pan-árabe chefiada por Nasser. Eis por que Israel existe na razão direta dos investimentos bilionários do Governo estadunidense, mas, enquanto for o carrasco militar e policial dos árabes.

Isto mostra que para o Poder-condomínio da Elite globalizada só existem alianças enquadradas nos seus interesses de Capital e Lucro.
Homens como Hussein servem os interesses dos EUA e da Alemanha; as suas atrocidades são pagas e incentivadas pelo Ocidente que, na sua hipocrisia, vê o Capital e o Lucro no Trabalho das pessoas transformadas em peças de máquinas de gerar Riqueza – Riqueza essa a ser obtida por todos os meios técnicos, militares e policiais disponíveis. Quando o mesmo Hussein deixou de ser ´importante´ para a estratégia do Ocidente, foi descartado. Como é descartada qualquer outra Pessoa que se venda por um Poder efêmero e desligado das raízes nacionais.
As políticas mundiais sobre Meio Ambiente interessam aos EUA?, ao Japão?, à China?, obviamente não. O sentido militar da Conquista e do Poder é que rege a Elite capitalista, seja liberal ou comunista. O planeta Terra é mera paisagem a ser destruída se isso for favorável ao Poder.
Por isso é que a Humanidade e o Cosmo só têm interesse para a Elite enquanto ela sobreviver com [e principalmente como] Poder.

 

Notas

1 Haiti (do crioulo Ayiti). País caraibenho que ocupa o terço ocidental da ilha Hispaniola. Na antiguidade conhecida Quisqueya pelos nativos arauaques, ou taínos, e os caraíbas, que habitavam a ilha quando, em 1492, Colombo ali chegou pensando estar a desembarcar na Índia, maas essa ´conquista´ teve um preço: o desaparecimento da população nativa pelo genocídio e a escravidão. No ano 1697 a parte ocidental foi cedida à França e à Espanha que nela passaram a explorar café, açúcar, cacau e ouro negro [escravos africanos]. Na parte ocidental está o Haiti e na oriental está a República Dominicana. Em 1801, o ex-escravo Toussaint l´Ouverture organizou uma revolta, virou governador-geral, mas, logo foi morto pelos franceses. A seguir, em 1803, Jacques Dessalines derrotou os franceses, declarou a independência e virou imperador.
Entre assassinatos e genocídios, vários chefes políticos surgiram no Haiti, como Boyer, que levou os dominicanos à independência,  Duvalier, Baby Doc, Aristide, Jonassaiant, Manigat, Avril, Estimé, Alexandre, etc. Na primeira década do Séc. XXI, o Haiti continua um país de 9 milhões de habitantes flagelados por intensa guerra civil e pura bandidagem política apoiada pelo Ocidente.

2 Cuba   Território insular na América, no norte caraíbenho com fronteira a sudeste com os EUA. O território foi descoberto por Colombo em 1492 na sua hipotética viagem para a Índia. O domínio espanhol em Cuba durou quatro séculos e, em1898, a ilha foi pelos EUA que aí estabeleceram um governo militar. Quatro anos depois, foi proclamada a República em Cuba, mas o governo norte-americano, em 1901, tinha convencido a Assembléia Constituinte cubana a incorporar um apêndice à Constituição da República [Emenda Platt], pela qual se concedia aos Estados Unidos o direito de intervir nos assuntos internos da nova república, negando à ilha, bem como a Porto Rico, a condição jurídica de nação soberana.
No dia 1° de Janeiro de 1959, guerrilheiros chefiados por Fidel Castro derrotam o governo pró EUA e a ilha torna-se independente. Hoje, a República [dita] Socialista de Cuba ainda exporta o modelo entre ativistas políticos da extrema-esquerda sul-americana e africana.

 

 

 

 

 

Segurança Pública
& Municipalidade

 

   A Urbanidade socialmente desassistida e a Violência são parte de um todo da Política Pública que teima em não ingressar na Escola e na Comunidade. E, enquanto os políticos não conquistarem para eles mesmos a Cidadania que proclamam eleitoralmente para o Povo, os jovens e o Professorado continuarão sem políticas públicas de Segurança enquanto a Comunidade continuará a sofrer com falta de Estrutura Urbanística e Emprego. A violência urbana é fruto de tal complexidade política e administrativa e ela exige, na Comunidade, forças policiais cada vez mais bem preparadas social e psicologicamente, porque o combate eficaz ao banditismo é feito com estratégias de prevenção e noções exatas de tática repressiva.
Mas, até aonde uma Guarda Municipal está preparada para enfrentar o banditismo urbano fortemente estruturado pelo tráfico de drogas e armas, inclusive, com cooptação de militares e policiais? E, na verdade, o que é uma Guarda Municipal?

   É preciso entender que “a questão da Violência não é somente Social, é também fruto de uma Justiça cujo aparato administrativo e penitenciário não corresponde às realidades do conjunto criminal, o que põe todos contra todos, i.e., ao não considerar uma adequação de políticas públicas de Segurança eis que a Nação age negativamente diante do Povo e permite que este, marginalizado, responda com ações extremadas até dentro do sistema penitenciário. Uma das formas de prevenir a Violência Urbana é considerar benefícios sociais e educacionais na Comunidade e estabelecer uma Guarda local para defesa do Patrimônio e Prevenção ao Crime” [Macedo, 1989].
E é assim que uma “Guarda local”, ou Guarda Municipal, deve ser vista: uma força local para defesa do Patrimônio e Prevenção contra o Crime.
A estruturação da Justiça engloba todos os segmentos da Ordem Pública, entre militares e policiais e instituições governamentais, por isso é que uma Guarda Municipal deve ser pensada e estabelecida pelos poderes públicos para efetivar uma Segurança sob coordenação nacional e cooperação permanente entre as diversas corporações.

   O sucesso de uma Guarda Municipal depende, e muito, da interação do Social com a Ordem Pública, o que significa dizer o seguinte: 1º- não existe policiamento local de prevenção e de guarda patrimonial sem um diálogo direto entre o Governo [Câmara e Prefeitura] e a Comunidade [associações populares de base]; 2º- quando uma Guarda Municipal [GM] é estabelecida apenas sob a orientação da Política local instituída, as falhas estruturais vão surgir logo nas primeiras ações da corporação no confronto com os interesses comunitários, que não são os mesmos da Elite local, mesmo que eleita por sufrágio universal; 3º- a estruturação da GM exige treinamento de defesa pessoal, armamento e acompanhamento psicológico integral; 4º- percepção clara das suas competências operacionais para que não possa, mesmo que por acidente, competir no mesmo campo com a ação de outras corporações, policiais ou militares, mas observar a noção de parceria nas suas demandas locais; e 5º- a relação Comunidade - Poder Público deve impossibilitar que pessoas não qualificadas assumam cargos na corporação para não comprometer a eficácia do todo policial, ou transformá-lo num todo político. Nestes cinco tópicos estão as realidades internas de uma GM autêntica e orientada, de fato, para servir a Sociedade Civil que lhe dá respaldo.

   A mobilidade de uma GM está na Logística perfeitamente percebida – i.e.: a Logística não é somente o deslocamento de tropas, ela é, antes de mais, a Informação que garante uma Tática perfeita com sub-ações delineadas na Estratégia anotada na ponte-de-comando. É assim que uma GM tem de se mexer. Ou ser mexida. Se uma GM não possuir a Informação correta sobre o potencial de criminalidade localizado ela não poderá assumir uma ação preventiva, somente uma ação repressiva – e, diga-se, dificilmente uma GM poderá atuar em situação tão extremada, porque ela é preparada para dar respaldo estratégico às corporações, policiais e militares, estruturadas para isso. A consciência do ser-policial no território municipal é a primeira tarefa da ponte-de-comando nas instruções transmitidas aos elementos da corporação, que devem ser enquadrados numa política de humanos na demanda de uma Sociedade local cujas comunidades coexistam harmoniosamente. 

   Sabe-se que “o Município é o ponto mais importante no desenvolvimento de uma política pública de Segurança” [Barcellos, 1993], e que o Poder Local não pode apenas custear o dia a dia de uma Guarda Municipal: “[...] o que o Poder Local pode e deve fazer é promover a Segurança com investimentos sociais e educacionais na Comunidade, enquanto mantém e melhora a sua Guarda, porque o municipalismo só o é quando as partes sociais dialogam para o Progresso sustentado” [Macedo, ibidem]. Portanto, a Segurança Pública depende de uma Municipalidade cuja administração garante o diálogo político permanente.

 

Notas

BARCELLOS, João – in “Segurança Pública e Poder Municipal”, palestra, Barueri/SP, 1993; Lisboa/PT, 2004.
MACEDO, J. C. – in “Terrorismo & Urbanidade: notas e soluções”, opúsculo, ediç do autor. Buenos Aires, Arg., 1987; Rio de Janeiro, Br., 1988.

 

 

 

 

Poesia Vária

 

 

ato d’amar

O tempo ameno em que se sobrevive,
às vezes ironicamente, com torpor,
se embriaga do clima d’ amor
como que súbita chuva ao de leve

caindo entre as árvores que somos. Fervor
dos deuses, dir-se-á. Mas sempre,
sempre o toque natural prenhe
da vivência – ou, o ser descobridor

do ato d’amar, mesmo que assim... de leve
levemente, outro ser. O encantador
estar no ameno viver mesmo que

dir-se-á, continuamente na busca do vapor
que transporta ideais rio acima; e leve
levemente, sobrevivendo, sempre e todo o amor!

 

 

o espírito da coisa

sei que vivo e no viver sou amor
e sendo isso sou deus
porque reflexo
qual luz e amplexo
do todo sublime e belo adeus
que um espírito pode exprimir num corpo em calor

já ouvi mil vezes que superior alguém veio
e nesse vir deu exemplo e traído foi
pelo próprio reino carnal
escorraçado e humilhado qual animal
sim o que veio ao inferior esqueceu que o humano rói
d’inveja de si mesmo e não sabe de si como simples meio

sei que vivo e neste viver sou reflexo do que veio
mas sinto-me apenas um poema que a cada verso dói

 

paixão no bar

ele olha para o copo de barro onde o café
oh negra e líquida coisa que dá fumacinha
e repassa o pensar que o liquida
desde que se sabe freguês e aqui o é

ela sabe que seu eu deixa rastros
às vezes imperceptíveis mas que até eunucos
dão pelo seu estar pois o campus
tem amplidão para esmagar caminhos estranhos

ele e ela há muito sabem que a fumacinha
do café não é fronteira mas profundo sinal
a paixão está em cada fiapo que mal
surge e logo dá o recado que lhes fere nos olhares a menina

oh a paixão é energia subterrânea e aqui o é
ou não seja aquela fumacinha a eterna ginga de outro olé

 

aquarela onírica

águas do mundo que sois um mar de rios
aonde ides águas qu’ eu canto?
percebo em vós um ego vário dissimulado
em rouco murmurar de delírios

solto na cascata ou à beira do cais ou no casco do barco
que navega ao luar
ai aonde ides águas do meu serenar?
sei que em vós coexiste aquele farto

desejo de tudo a(r)mar numa água só
e percebo dessa poesia partículas que s’evaporam
que saúdam este eu e outros que vos namoram
a cada hora nova com um naco de palavra só

ó vós que sois as águas do mundo em delírios
deixai-me ser uma gota livre no vosso mar de rios

 

 

balada do guerreiro espiritual
I

1

Soube hoje que nada é igual ao Nada. Que o Caos
domina a perfeição aparente mostrando que o Todo belíssimo
é um sentir vário semeado pelo Eu.
Soube hoje que desse Nada ressurge o Tempo que,
sei, é a energia que irradiamos. Que irradio.
Vi muitos Outros na demanda da Luz como navio velho
sem rumo, Outros que não sabiam do pavio
e pensaram estar no Caos...
A demanda da Luz abre-nos o Corpo, dilata o Eu
por mais Nada que, por muito tempo, encontremos –
que afinal, não somos consciência do Nós no repente
do hilariante ir às sortes mercantis. Seremos e somos algo
daquele profundo Nada enquanto o sentir qu’ exalamos
não exprimir a divindade do Eu.
Soube hoje que as Horas não dizem a Verdade
e que o Tempo é só
o doce balançar das partículas do pó
que nos fazem sacos de Nada e do Todo, e só!
Eis a batalha da eterna Guerra que guerreamos...
O instinto é uma provisão da sobre-vivência
e nele o Amor perscruta-nos o Eu – e, quando diz m’ Eu
não é egoísmo: a Animalidade que somos,
primeiro, é que vulgarizou a palavra Amor,
dela faz instrumento do poder precário e não natural.
Ah, como é bom sentir n’ Outro olhar o Espírito doce
do imprevisível Caos...!

Batalhas tantas, pelo discernimento do Bem e do Mal,
fazem-nos ser, dia após dia, um Oráculo.
Soube hoje que o Universo é uma maresia de Cosmos
e que o Todo que persigo é o vário Eu que sou...
Soube hoje do m’ Eu e n’ Ele vi
além o inferior – a Animalidade – e nele a Guerra que guerreamos
para estarmos longe do superior Viver.
Por isso me quero cinzas na hora do Nada absoluto...
após o Amor. Ah, essa balada
do guerreiro espiritual...!
Soube hoje que a materialidade animalesca, já o disse,
é um saco onde o Nada e o Todo.

Soube hoje que é preciso ser Força, ser Energia, ser Amor,
contra as igrejas vis que dispensam o Amor
em troca dos Dinheiros que não as livram do temor
da Morte, pois em Vida não sabem da Verdade espiritual!
E é simples ser guerreiro do Belo,
vivificar os meios que somos dizendo olá
aos vastos Cosmos que carreamos no Caos dia após dia.

 

2

Escuto o Cântico que na fragrância
da Terra sabe-me a Vida.
Como que genuíno Ser que trabalha
e do seu Mister s’entrega à demanda
da Revolução que lhe estufa o peito
e da vera aldeia que é se faz eleito
na convocação do Todo e mostra de outros a manha
e, aí, é Igreja autêntica contra a canalha
que vive dos outros a Vida –
logo, o Cântico que me veste de nova fragrância!

Não me falem em altares que neles a Intolerância
é lei, mas falem-me do Ser e da Alma vivida.
Não me falem da Alma perdida,
falem-me do Ser d’espiritual Tolerância!

 

3

Não sei quem somos,
talvez um pátio d’alegrias e choradeiras;
ou nada disso.
E atuamos às vezes qual ouriço...
Não somos, não estamos nem existe percepção
neste Ego que pátio comunitário é: nasce aí a tentação,
a espiritual Igreja é rebuliço
no meu olhar a Vida que atiço:
pó cósmico e pagão, percebo aí a Alma trepadeira
entre cosmos...

Não me digam o que somos,
deixem-me na Utopia de sentir a eira
onde o trigo sossega e sentar na beira
da Vida a interrogar o que fomos!

 

II

4

Viver é uma prece,
soube hoje.
Porque o Hoje é o Sempre e o Depois –
sim, e na ilusão de que pode(re)mos ser mais que os semelhantes
esquecemos que somos um cais, um sagrado cais
que ultrajamos ao não estendermos a Verdade a todos.
Sim, Nós fazemos o Tempo agitando as mil razões...
soube hoje,
ao banhar-me como íntima igreja, qual prece!

 

5

Há um sábio em cada Eu,
mas a magia que o fará Guerreiro virá do Amor
e, nesse toque, dirá: eis me, Eu...!

 

 

 

 

 

 


luso-brasileiro

 

e neste Longe que m´assiste
é a Língua a ponte
entre culturais riachos e oceanos
botes e navios e aviões
com ela encanto de paixões
est´alma que dói nos planos
espiritual e físico e onde
quer que o Longe s´imagine

este conhecido onde
é um Brasil sempre longe
e perto do Todo luso

mas é o Todo luso
que às vezes prega o aonde
esquece a ponte

[200 anos depois de João, o 6º]

 

 

brasileira

 

ela é onda que quebra
em nosso olhar
se desfaz no vagar das tentações
palmeira imperial ao vento
doce de coco no fogo lento
partículas raciais em raras vibrações
e nós somos o altar
em que ela se faz alteza

ela é ara e é altar
ó maravilhosa onda a consagrar
cálice de pura e louca beleza

onda que quebra
noss´alma e nos leva a amar
o sublime momento d´olhar e mergulhar

[a Anita Garibaldi]


 

 

O Instante Em Que O Poeta Se Foi

O bico da caneta vai,
Como vai minh´alma a dizer dos mundos
Vistos e vividos.

O bico da caneta vai,
Como vai esta saudade d´estar longe dos mundos
Vistos e vividos.

O bico da caneta vai,
Como vai esta paixão de ser o que são amores vagabundos
Vistos e vividos.

O bico da caneta vai,
Como vai a morte que nos encanta entre absurdos
Vistos e vividos.

E em certo instante –
No de repente que é de fato o instante,
Eis que o bico da caneta não vai.

E se o bico da caneta não vai...

 

 

Ser O Que Somos

 

Existe além o que dizem ser o Verbo;
Não que saibamos como operar essa barcaça,
Mas eis nos talvez deuses talvez filósofos.

Existe além o que dizem ser o Verbo;
O que Vieira e Camões e Pessoa usaram como couraça
Sem querem ser deuses nem filósofos.

Existe além o que dizem ser o Verbo;
O que Shakespeare e Drummond e Borges quiseram como mortalha
Longe dos deuses e dos filósofos.

Existe além o que dizem ser o Verbo;
Essa coisa que às vezes é munição d´espingarda
Em pergaminhos de deuses e filósofos.

O que é estar?  Que é ser?
A alma cheia do Tudo e do viver,
Porque nos achamos deuses e filósofos com o Verbo?

Ora, como vocês, Eu sou o que vos pareço... em Verbo!

 

 

Alma Urbana

Dois Sonetos d´Eu

um

Nem sempre sabemos o que Somos
porque um Outro que em Nós o é
raramente é vivido – e, quando o é,
revela uma amplidão de signos do que fomos!

E, às vezes, ess´Outro gera Outros,
dispersa-se pela ossatura alquímica,
diz-nos de um Todo que é fonte onírica
do Tudo que nos envolve e nos faz Outros!

Não sei se Sou. Percebo um caminho.
Um caminho que faço a cada escrita, cada poema,
como o rio que se constrói gota a gota

a brotar dos chãos, das matas, a fazer o leito... Eu sou a gota,
da Criação que canta a Criatura entre porções d´alfazema
para indicar a quem vem depois o (meu) caminho!

 

 

dois

 

O desejo d´amar é forte.
Mas há nele um quê de morte
que m ´isola e em Mim gera
o ambiente da fera,

sim, identidade animal
a empurrar-me, letal...
Vivo, pois, e quero o puro amar,
aprender a levar o Ser a Estar

entre Outros. Por si e com todos,
como flor entre flores, amores.
E como é forte este desejo de ser instantes.

Como é forte o vazio e o Todo, olhares penetrantes
em cada movimento: ódios e amores
s´enamoram no puro exercício de viver o gosto!

 

Eu e o Leão do Circo

O olhar do felino
penetra a minha´alma,
dá um espaço sem tempo
para o Eu ser Vida,
a fazer-me desejar Tudo sem lamento
e ir além da Morte que se derrama
em Mim, qual querer felino!

Sinto-me um breve inquilino
que pela Vida s´esparrama
no sem tempo da preguiça do felino...

 

Eu e o Gato da Aldeia

O gato é velho. Depois d´alvoroçar a galinhada
e a cachorrada na hora do canta-galo,
ei-lo que me segue na caminha pelo bosque.
No rio da aldeia deixo correr a água que m´esfria
pelo cabelo e o rosto. Ele não: o gato está no bosque
para me dizer o quanto “és tolo, pá”. Abana o rabo,
arrepia  pêlo quando lhe atiro uma mão cheia d´água gelada...

O olhar do gato é uma funda pedrada
que me leva ao íntimo animal. Percebo-me gato
e vira-lata na liberdade que é este cúmplice estar além da fala!

 

 

 

 

 

4 Poemas Jesuânicos
A Celebrar O Filósofo Manuel Reis

 

PAZ E AMOR CONTRA A IGNORÂNCIA

O ânimo que me move
É blasfêmia. O que me move
É um todo que do nada se faz,
Que em cada ignorante [ainda] jaz!
E em tudo isto existe uma flor de paz,
Um amor que me sobrevive, comove!

 

FADO SINGULAR E PLURAL

O limite não existe para quem a angústia
É um viver. A palavra que vos dirijo anuncia
O ritmo da paixão por nós –
Grãos d´inteligência sob muitas mós!
O pensamento roda as velas do moinho qu´está em nós.
Por sabermos que geramos vida crucificamo-nos pela angústia!

 

ECOANDO

além do pico da montanha
ecoam desejos
amores
traições e hipocrisias de poder
e um vale estende-se por lá
leito incerto
de traições e hipocrisias do poder
amores
e inúmeros desejos
porque nós somos a sagrada montanha

 

MENSAGEM

o papagaio de papel
soltou-se e vai na corrente d´ar
leva o querer criança de todos nós
em ser ícaro e ser sonho
palavra [de todas] para todas as pessoas
mensagem inocente
de estar sonho
de olhar a paz em cada casca de noz
que flutua em noss´alma e no navegar
do papagaio de papel

[Transcrição de Marta Novaes. Buenos Aires, Argentina.  Grupo Granja.]

 

 

 

 

somos estando

já o mundo que somos
é a aldeia de todas as pátrias
babel de nadas
precisamos agora d’ olhar
em nós e nos nadas
e descobrir pátrias
que digam o que somos

já o mundo
desconhece fraternidade
alguns ainda cantam
precisamos d’ amor
e nos encantam
surge aí nova urbanidade
um novo mundo

vivamos a vida
sejamos coro e idade nova
vivamos o amor
oh alegria
sinos de natal no clamor
d’alma que se renova
já somos vida

 

 

 

frater natal

sei que nasci Ontem
para Hoje estar mesmo não o sendo
quando o Amanhã se pronuncia
e então bebo no cálice do dia a dia
o fermento cósmico que m’ alivia
o parto que me é rio de unguento
que corre para o Ontem

e então percebo que vivo um Agora jovem
sempre jovem e por ele aguento
o vórtice existencial entre a Perfídia
(que age em própria Alquimia)
e o Amor que m’ alicia
e eis que re-encarno n’ alegria e no lamento
que em Mim vive o jovem

ao descobrir em Mim o eterno Ontem
sei que memorizo o Cosmo relendo
as possibilidades do Amanhã e faria
como sempre faço a Vida em pleno dia
ou plena noite como que garantia
do Eu entre as correntes d’ unguento
na formação da Mulher e do Homem

um Eu fraterno que diz do Homem
e da Mulher no assumir o Natal e querendo
Vida e Amor no ritmo da Malícia
e então eis o quê de sentir-me qual folia
nascendo e renascendo no Frater dia
que me batiza como Cosmo m’ erguendo
para uma Existência jovem

 

eu sou o que é

sinto em mim
o que sou
um eu amorosamente
cantando o deus que o é
em cada gesto
palavra
o que sou
é o que deus é

permitam-me cantar a palavra
que me é alma e por ela sou
o que a vida foi será e é

ah um eu amorosamente
dizendo sou
é o que sinto respirando como jardim

 

gerando luz

treme a terra
que ela trema toda
e que as águas me sejam mortalha
levando minhas cinzas
pressinto as cinzas
de uma estrela talhada
no céu desta que treme toda
ah e como treme a terra

no coração palpita a alma sossegada
qual telúrica boda
altar que não sabe das pedras

o amor que dou é alma prostrada
que se derrama toda
e faz tremer a doce terra

 

mundo

Ai, o mundo em que vivemos
está perdido. É o que é
pelo que vale... um vale
de lágrimas!

Cristais d’ almas
perdidas em vale
poluído. E este é
o mundo em que vivemos!

 

nós somos o natal em amor

1

amor
labareda
fogueira
calor

levamos nossas almas
na contra-mão da multidão
nós somos o público
no privado exercício do ser cidadão
e o somos em feito único
de vida e d’ ilusão
existimos pelo prazer uno
farta emoção
no bulir das almas

a cada natal eis nos campo d’ amor
que vai gerar um ano novo
abraço de ternuras
beijo doce d’amor

 

2

a presença que nos concedemos
é um estar que se diz somos
tributo uno ao amor
à vida

a vida
que queremos por amor
e o somos
porque em liberdade concebemos

 

 

raízes

mulheres
flores
amores
prazeres

mulheres ai as mulheres
raiz
natal feliz
por elas sou um ser
estou
com elas aprendo a viver
e sou

 

ah eu sou
é o que dizemos
mas é melhor dizermos
eu vim
são as mulheres
os únicos seres que podem dizer-nos
eu sou

em prazer
amor
re-construindo flores
ah mulheres

 

 

 

 

 

 

Breves Tons d' Espiritual Espectro

 

 

1

escorre-me
um pranto
águas elevadas onde o pensar
é luz e nelas faz girar
as cores enquanto
quedo-me

 

2

vejo que
na liberdade que sou
outros ainda são erva d'estrada
eu cresci sou flor e sou mata
por isso me dou
assim que

 

3

há um som
algo em mim que diz
és o algo em si
não te percas ai de ti
não sei o que não fiz
ainda ouço o som

4

instante
oh química oh amor
quão breve é
estar e re-nascer
nesta fé caminho sem dor
estou caminhante

 

 

 

 

balada de nós

o cântico da Vida
é uma boléia
sempre que a partida
é um'Idéia

temos os mundos
nas mãos
oh riscos fundos
que nos guiam quais estrelas
e somos chãos
e vira-mundos

nest'Idéia
que é uma ida
somos até boléia
da Vida

canção doce-amarga e tola
mas bem parida

 

 

universo (um)

tudo
tudo é o que sou
quando abro
os olhos e me dou

sombra da minha sombra

sei o que sou
quando me acho
e vivo e a todos dou
tudo

 

universo (dois)

vórtice
dum'Alma que o é
sou pirâmide
nas linhas de uma Fé

tudo e nada eis me Todo

meu nome não é Confúcio nem é Maomé
nem Jesus sou apenas Arte
de um Desejo que me é
vórtice

 

folclore

o prazer
é sair à rua e olhar o mundo
beijar a flor e dizer amor

o prazer
é saber que tem colibri no brasil
e não tem no portugal do doutor

o prazer
está nas rendas dos açores
que se fazem no brasil com fervor

o prazer penetra e vem d'outro corpo
águas muitas na posse do sonhador

o nascer
é esse prazer que do barro sai boneco
e das telas e da madeira é imagem d'amor

 

caminheiro

e mil tigres me saúdam na escuridão
enquanto o jacaré me dá o dorso
e pela amazônia chego ao mundo

e mil leões me aguardam na imensidão
do amanhecer quando lembro o tejo
refletido nas águas d'oriente e m'acostumo

à lição diária da descoberta sem rumo
que é saber d'áfrica também e me achar colosso
e mil fados ecoando por mim em oração

 

brasil

pés nus e um farrapo pelo corpo
lá vai a nação armando mais um terreiro
em busca do graal que os filhos do luso ensinaram

pés nus e uma idéia e pinga a gosto
lá vai a nação orando n'alquimia de juazeiro
e d'aparecida que alguns enfeitaram

muitos são os pobres e mais os que se fartaram
nesta vila rica que foi ilha e ora é das cobiças o terreiro
pés nus a nação é um farrapo quase sem corpo